Ciclos da matéria e água, carbono, azoto e fósforo

Porque interessam

Os solos não são apenas o “suporte” das plantas, são centrais nos ciclos do oxigénio, da água, do carbono e dos nutrientes. Armazenam mais carbono do que a atmosfera e a vegetação em conjunto, regulam a infiltração e a qualidade da água e disponibilizam nutrientes para as culturas. Quando o solo está vivo, com matéria orgânica e microrganismos ativos, estes ciclos funcionam melhor, a produtividade e a qualidade dos alimentos aumentam e o clima é mais estável.

Matéria orgânica, o motor da reciclagem

Restos de plantas e de animais decompõem-se e libertam nutrientes que voltam ao sistema, ao mesmo tempo retêm carbono e água no solo. Microrganismos, fungos, minhocas e muitos outros seres vivos fazem esta reciclagem invisível que sustenta a produção de alimentos e ajuda a regular o clima.

 

 

Ciclo do oxigénio

O oxigénio atmosférico é reposto sobretudo pela fotossíntese e consumido na respiração e decomposição. Em água, o O₂ dissolvido pode cair quando há excesso de nutrientes (eutrofização), afetando peixes e a nossa alimentação. Cuidar dos nutrientes e do solo ajuda a manter este ciclo equilibrado.

Ciclo da água

Em solos saudáveis, a água infiltra-se e fica armazenada, o solo funciona como um filtro natural que reduz cheias, previne a erosão e mantém água disponível para as plantas. Em solos degradados, a água escoa rapidamente, arrasta nutrientes e polui rios e lagos.

 

 

Ciclo do carbono

As plantas fixam CO₂ através da fotossíntese. A respiração e a decomposição devolvem carbono ao ar e à água. Solos bem geridos funcionam como cofres de carbono, ajudam a travar as alterações climáticas e mantêm a fertilidade. Quando o solo se degrada, liberta CO₂, perde estrutura e produtividade.

Ciclo do fósforo

O fósforo não tem fase gasosa significativa, circula entre rochas, solo, água e seres vivos. É muitas vezes o nutriente limitante para o crescimento das plantas. Em excesso nos meios aquáticos pode causar eutrofização, florações de algas e queda do oxigénio. As micorrizas ajudam as plantas a captar fósforo do solo, por isso um solo vivo melhora a nutrição sem excessos de adubo.

 

 

Ciclo do azoto

Grande parte do azoto existe no ar como N₂, forma que as plantas não usam. O solo conta com microrganismos que realizam:

  • Fixação do azoto, N₂ transforma-se em amónia e amónio
  • Nitrificação, amónio transforma-se em nitritos e nitratos
  • Assimilação, as plantas absorvem amónio e nitratos
  • Amonificação, a matéria orgânica volta a amónio
  • Desnitrificação, nitratos regressam a N₂

As leguminosas como feijão, grão e ervilhas formam simbioses com bactérias nas raízes que fixam azoto, enriquecem o solo e reduzem a necessidade de fertilizantes sintéticos.

 

Serviços dos ecossistemas do solo

Solos vivos contribuem para produção de alimentos, regulação da água, sequestro de carbono, fertilidade, biodiversidade e até valor cultural, porque moldam paisagens e práticas agrícolas.

 

 


Planear as tuas refeições, para manter os ciclos equilibrados

Ao consumir alimentos da época e locais, reduzes cadeia de frio e transporte, proteges o ciclo da água e o clima.
Ao consumir leguminosas várias vezes por semana, melhoras o ciclo do azoto e apoias rotações que enriquecem o solo.
A variedade no prato, tal como na rotação de culturas, mantém a fertilidade e a biodiversidade.
Ao evitares desperdício e ao assegurares a compostagem dos restos orgânicos, devolves nutrientes ao solo e fechas os ciclos.
Escolhe produção que cuida do solo, coberturas vegetais, composto, agrofloresta e gestão equilibrada de nutrientes, para prevenir eutrofização e poluição.

 

 

 

DESAFIO FOODWISELAB

Analisar uma refeição do dia a dia à luz dos ciclos naturais (água, carbono, azoto e fósforo) e perceber como pequenas mudanças podem torná - la mais sustentável e amiga do solo e dos ecossistemas.

Consegues Equilibrar os Ciclos?