Processamento do açúcar
O açúcar é um dos ingredientes mais comuns da nossa alimentação, mas o seu percurso até chegar à mesa é longo e cheio de transformações.
O açúcar é extraído de duas plantas principais: a cana-de-açúcar, cultivada em regiões tropicais, e a beterraba-sacarina, típica de climas mais frios, como o da Europa.
Da planta à fábrica
Depois da colheita, a cana-de-açúcar é cortada junto ao solo e transportada rapidamente para a fábrica, onde começa a transformação.
No caso da beterraba-sacarina, as raízes são arrancadas do solo, lavadas e cortadas em tiras finas chamadas cossetes.
Na cana-de-açúcar, os colmos são esmagados e prensados; na beterraba-sacarina, as cossetes passam por difusão em água quente para extrair o sumo açucarado, rico em sacarose, o principal dissacarídeo utilizado como açúcar alimentar.
Purificação do sumo
O sumo extraído contém impurezas naturais, como fibras, proteínas, minerais e outros compostos orgânicos.
Para o limpar, adiciona-se cal (hidróxido de cálcio) e dióxido de carbono, num processo de carbonatação, o que faz com que as impurezas se depositem no fundo dos tanques.
O líquido limpo é depois aquecido e filtrado, obtendo-se um xarope transparente e espesso.
Açúcar
O xarope é concentrado através da evaporação da água em em evaporadores a vácuo, reduzindo a temperatura necessária para a evaporação da água.
À medida que o líquido se torna mais denso, formam-se cristais de açúcar.
Esta mistura de cristais e xarope, chamada massa cozida, é colocada em centrífugas que separam o açúcar sólido do xarope restante (o melaço).
O açúcar é depois lavado, seco e peneirado, ficando pronto para ser embalado como açúcar cru ou para seguir para a etapa de refinação.
Refinação
Para obter o açúcar branco, o açúcar bruto passa por um processo de refinação, que remove corantes naturais e restos de melaço.
O produto final é a sacarose de elevada pureza (cerca de 99,8–99,9%), em forma de cristais brancos brilhantes.
O melaço e os açúcares menos refinados são aproveitados para fazer açúcar mascavado, açúcar amarelo ou xaropes de cana, que mantêm pequenas quantidades de compostos naturais provenientes do melaço.
Subprodutos e aproveitamento
Nada se desperdiça no processamento do açúcar:
- As fibras da cana (bagaço) são usadas como biocombustível para gerar eletricidade nas fábricas;
- A polpa da beterraba é utilizada sobretudo como ração animal, podendo também ser valorizada como fertilizante;
- O melaço é aproveitado para fabricar etanol, rum e leveduras para panificação.
Estas práticas fazem parte da economia circular, que reduz o desperdício e transforma resíduos em novos recursos.
Sustentabilidade e impacto ambiental
A produção de açúcar é intensiva em água e energia, especialmente nas zonas tropicais.
Atualmente, as fábricas procuram soluções mais ecológicas:
- Reutilização da água de lavagem das plantas;
- Produção de energia renovável a partir do bagaço da cana;
- Uso mais eficiente de fertilizantes e pesticidas;
- Certificações como o Bonsucro, que promovem práticas agrícolas sustentáveis.

Dica para planear as tuas refeições
O açúcar fornece energia rápida, mas deve ser consumido com moderação.
Prefere os açúcares intrínsecos das frutas e dos laticínios e evita alimentos com açúcares adicionados, como refrigerantes, bolos e doces industriais.
Reduzir o consumo de açúcar ajuda a proteger a tua saúde e a diminuir o impacto ambiental da sua produção.
DESAFIO FOODWISELAB

Compreender como o açúcar é processado desde a sua origem vegetal até ao produto final, distinguindo açúcares menos transformados de açúcares mais refinados, e refletir sobre o impacto destas escolhas na saúde.
Da Planta ao Açúcar: Como é Processado o Açúcar?